Mais do que um cenário pontual, essa relação difícil é sintoma de um padrão maior, que revela o estado atual do presidencialismo no Brasil e em outros países latino-americanos. Chamamos esse padrão de presidencialismo disfuncional, em que a negociação regular entre Executivo e Legislativo se converte de modo recorrente em barganha pela sobrevivência presidencial. A disfuncionalidade se alimenta quando surgem espaços para adaptações que flexibilizam o presidencialismo e quando se enfraquecem os instrumentos do Executivo para gerir coalizões. Há mais casos na América Latina que ilustram o presidencialismo disfuncional, como Peru e Equador. O presidencialismo disfuncional substitui esse padrão por um novo, em que as ferramentas usadas para gerir coalizões perderam eficácia e passaram a servir para administrar a vulnerabilidade e sobreviver a crises.