A liderança científica sempre foi um dos principais pilares da supremacia econômica, tecnológica e militar dos Estados Unidos. Em um momento em que o país disputa com a China a corrida por inteligência artificial, semicondutores, biotecnologia e computação quântica, o enfraquecimento da estrutura de pesquisa levanta dúvidas sobre a capacidade americana de manter essa vantagem nas próximas décadas. Segundo um levantamento publicado pela revista Nature, cerca de 25 000 cientistas e profissionais ligados a agências federais de pesquisa deixaram seus cargos desde o início do segundo mandato de Donald Trump. Em uma pesquisa realizada pela própria Nature com mais de 1 600 pesquisadores que trabalham nos Estados Unidos, 75% afirmaram considerar deixar o país, citando a instabilidade, os cortes de financiamento e as dificuldades para desenvolver pesquisas. Governos e universidades da Europa ampliaram programas para atrair pesquisadores que atuavam nos Estados Unidos, intensificando a disputa global por profissionais altamente qualificados.