O papel das redes de desinformação na emergência fronteiriça foi corroborado em parte pela Espanha, que apontou o dedo para a inércia do governo marroquino como um fator central da crise, que ocorre em meio a tensões diplomáticas e energéticas envolvendo Rabat, Madri e Argel. A conclusão dos serviços de inteligência espanhóis traz uma avaliação ambígua sobre o papel de Marrocos. As autoridades descartaram que Rabat tenha premeditado ou planejado o fluxo migratório, mas, por outro lado, não teria freado a onda humana, inclusive facilitando o acesso à fronteira — e tirado proveito da crise, que colocou pessoas em situação de vulnerabilidade no centro de um jogo geopolítico com várias frentes e atores. Entre os relatos que chegaram à imprensa internacional, alguns descreveram ter recebido instruções diretas sobre por onde prosseguir, enquanto outros disseram não ter sido confrontados pelas autoridades com que cruzaram no caminho. Continuar Lendo