Falamos há anos sobre economia da atenção, sobre modelos de negócio construídos para nos manter ligados o máximo de tempo possível, mas raramente paramos para medir o custo real dessa ligação permanente, sobretudo entre os mais jovens. O detox digital não é, por isso, um tema apenas dos adolescentes, é um tema de toda a família, e de toda a sociedade. Trabalhadores permanentemente disponíveis por telemóvel não são necessariamente mais produtivos, são apenas mais cansados. Trata-se antes de recuperar o uso consciente, planeado e limitado no tempo, em contraponto ao uso automático e permanente que se instalou nos últimos anos. No fundo, o detox digital não deve ser encarado como um sacrifício ou como uma proibição, mas como um exercício de gestão, semelhante ao que fazemos com qualquer outro recurso limitado, seja o tempo, o dinheiro ou a energia.