Terceira via é uma expressão candidatíssima a disputar o pódio das mais desgastadas e desmoralizadas do léxico da política brasileira. Não é que Jair Bolsonaro tenha sido uma terceira via a furar a alternância PT-PSDB fundada em 1994. Quatro anos depois, as pesquisas mostram que, na teoria, a tal terceira via é uma ideia sedutora. Levantamento da Quaest de novembro do ano passado mostra que 24% dos eleitores prefeririam votar num candidato que não fosse nem Lula nem indicado por Bolsonaro. É esse paradoxo entre a rejeição teórica à polarização e a dificuldade prática de emplacar um nome fora dela que põe em perspectiva e cerca de ceticismo a movimentação de Gilberto Kassab nesta semana para oferecer não um, mas três pré-candidatos à tal terceira via.