Não se trata de fazer uma defesa ingênua da universidade americana, mas lembrar que ela é historicamente atravessada por deslocamentos, acolhidas, recrutamentos internacionais. Tudo isso não constitui um receituário homogêneo, feito por uma instituição monolítica. David Harvey, na Universidade de Nova York, consolidou uma leitura de Marx a partir da geografia e da urbanização do capital. Se ainda faz sentido falar em um “FMI universitário”, isso raramente se apresenta na forma de uma doutrina – seja decolonial ou marxista, seja libertária ou neoliberal – exportada em bloco. O colonialismo deixa de ser apenas passado ou metáfora, torna-se o próprio ambiente técnico-político em que vivemos.