O dia 8 de janeiro de 2023 marcou a entrada da democracia brasileira numa fase de vigilância permanente. Não como episódio isolado de tensão política, tampouco como mera repetição de disputas anteriores, mas como um teste silencioso de sustentação democrática. A democracia continua operando, mas sob contestação permanente, como se estivesse sempre em condição provisória. Em janeiro de 2023, a democracia brasileira demonstrou que dispõe de mecanismos de autoproteção. Em 2026, o que estará em disputa não é apenas o resultado das urnas, mas a capacidade do país de sustentar a democracia em estado de vigilância permanente, sem que ela se desgaste a ponto de perder o reconhecimento social que a sustenta.