Segundo alguns comentadores, tratar‑se‑ia de uma transição do capitalismo dos acionistas para um capitalismo gerencial. O que está em causa não é um ataque ao capitalismo dos acionistas enquanto tal, mas uma ofensiva política contra o chamado “capitalismo dos stakeholders” – ou, mais concretamente, contra acionistas institucionais que promovem propostas relacionadas com clima, remuneração ou diversidade, equidade e inclusão (DEI). Ao reduzir a capacidade dos acionistas de submeter propostas e ao enfraquecer o papel dos consultores de voto, o poder desloca‑se da esfera dos investidores para a gestão – não por razões económicas ou de eficiência, mas por motivações ideológicas. Culpar as políticas ESG ou DEI por estes resultados é uma leitura simplista e enviesada. Colocar esse princípio em causa por razões ideológicas não fortalece o capitalismo – fragiliza‑o.