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Livros: “Páscoa Feliz”, de José Rodrigues Miguéis, é a história de “um homem que obedeceu”
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Expresso
“Mas eu deliro, com certeza”, diz Renato Lima a si mesmo.
E uma forma de descrevermos a novela “Páscoa Feliz” (1932) é essa: uma alucinação, um delírio.
Mas antes disso, seguimos algumas pistas falsas.
O início da história, que é na verdade o fim, sugere que o narrador possa ser um preso político, embora ele logo diga que foi condenado por crimes de delito comum.
Depois, um flashback aponta para um enredo entre o naturalista russo e o neo-realista atípico, com a infância e juventude do esquecível Renato, filho de gente humilde, vítima de bullying na escola, órfão muito cedo, e depois tristonho empregado de escritório, figura baça, traumatizada e descontente.