“Mas eu deliro, com certeza”, diz Renato Lima a si mesmo. E uma forma de descrevermos a novela “Páscoa Feliz” (1932) é essa: uma alucinação, um delírio. Mas antes disso, seguimos algumas pistas falsas. O início da história, que é na verdade o fim, sugere que o narrador possa ser um preso político, embora ele logo diga que foi condenado por crimes de delito comum. Depois, um flashback aponta para um enredo entre o naturalista russo e o neo-realista atípico, com a infância e juventude do esquecível Renato, filho de gente humilde, vítima de bullying na escola, órfão muito cedo, e depois tristonho empregado de escritório, figura baça, traumatizada e descontente.